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33 anos de ABBA Brasil: histórias que nos trouxeram até aqui

Olá, meus queridos amigos e parceiros da ABBA Brasil, dirigir-me a vocês nesse mês de fevereiro é algo muito especial, porque nesse mês a ABBA celebra trinta e três anos de vida, trinta e três anos de história com muitas histórias que nos trouxeram até aqui e é justamente sobre isso que quero falar com vocês, na verdade quero lhes contar uma história, uma que, na verdade, é feita de três histórias que se entrelaçam: A primeira é a de Jonas, um garoto que vivia nas ruas de São Paulo. A segunda é a minha própria história e a terceira e a maior de todas, é a história de Deus.

Jonas vivia em uma comunidade na Grande São Paulo, com sua mãe, seu pai e sua irmã mais nova. O pai tinha um emprego comum, e o que ganhava era suficiente para sustentar a família. Eles eram uma família simples, como tantas outras espalhadas pelo nosso país. Não tinham muito, mas eram realmente felizes. Havia amor naquela casa. Se você fosse vizinho deles, certamente iria ouvir o som das risadas no fim do dia, a mãe chamando para o jantar, a irmã correndo pela sala, e aquele cheirinho de pão saindo do forno nas tardes de sexta-feira, preparado com carinho pela mãe do Jonas. Eram gestos simples, rotinas comuns, mas cheias de afeto. Eles não tinham tudo o que queriam ou precisavam, mas tinham um lar realmente amoroso.

O pai de Jonas sofreu um acidente no trabalho, não resistiu aos ferimentos e acabou falecendo. Com isso, aquela família perdeu o seu alicerce. A esposa perdeu o marido. Os filhos perderam o pai. E, a partir daquele momento, a história começou a mudar.

Algum tempo depois, a mãe de Jonas iniciou um novo relacionamento. Porém, o novo companheiro não era alguém que trouxesse cuidado e proteção. Era um homem agressivo e alcoólatra, que passou a maltratar Jonas e sua irmã.

No meio dessa realidade tão difícil, nasceu mais uma criança, um irmãozinho por parte de mãe para as crianças. Mas, em vez de trazer esperança, o ambiente da casa se tornou ainda mais pesado. A violência, o medo e os abusos passaram a fazer parte do dia a dia daquela família que um dia foi marcada pelo amor.

Diante dessa situação, Jonas tomou uma decisão dolorosa: saiu de casa e foi para as ruas. Você pode imaginar como estava a mente e o coração de Jonas com todas essas mudanças?

Ele buscava liberdade, mas acabou encontrando outra prisão.

Nas ruas de São Paulo, Jonas se viu cercado pelas drogas e por ainda mais violência. Nessa situação fez escolhas que nunca imaginou fazer, mas pensava consigo mesmo que isso era necessário para conseguir, de alguma forma, sobreviver. Ele sentia saudades do seu pai, da sua mãe, de sua irmã, ele sentia saudades da sua vida.

Aquele menino cheio de sonhos e que era apenas uma criança cheia de vida, agora estava mergulhado em uma realidade de extrema vulnerabilidade. A miséria que o cercava não era apenas física, mas emocional e espiritual. Era uma miséria profunda, que o colocava à margem da sociedade e roubava, pouco a pouco, a sua identidade e a sua esperança. Eu sei que essa não é uma história feliz. É uma história triste e que pode se prolongar por toda uma vida, Jonas é um personagem fictício. Mas a história dele é real, ele representa milhares de crianças, adolescentes e jovens que vivem realidades como essa em nosso país.

E sabe, de certa forma, essa história também é parte da minha história.

Eu nunca fui um garoto de rua, não como Jonas. Mas, como ele, cresci em um lar profundamente marcado pela violência. Meu pai não faleceu, mas era um homem agressivo e adúltero. As minhas primeiras lembranças da infância são de brigas e agressões muito violentas contra a minha mãe.

Você pode imaginar como é ter como primeira memória o seu pai machucando sua mãe? Isso marca qualquer criança.

Meus pais se separaram cedo e eu cresci entre idas e vindas, ora morando com meu pai, ora com minha mãe. Apesar de todas as suas falhas, meu pai sempre se esforçou para nos sustentar e cuidar de nós. Mas a violência e as traições deixaram feridas profundas em mim e nos meus irmãos. 

Minha mãe se casou novamente e, pela graça de Deus, foi com um homem amoroso e cuidadoso. Mas ele não era nosso pai, e eu fui crescendo com muita liberdade e pouca direção carregando marcas que eu só entenderia muito tempo depois.

Em 1995, em meio a um momento muito grave de saúde da minha mãe, o medo de perdê-la me levou a uma igreja. Eu tinha apenas doze anos e, no meu coração de menino, sentia como se precisasse “negociar” com Deus a cura dela. Naquela circunstância, levantei a mão, “aceitando Jesus”.

Digo que levantei a mão porque aquele não foi o momento da minha verdadeira conversão. Foi apenas a resposta emocionada de um filho com medo. Atendi ao apelo, fui à frente e declarei que queria entregar minha vida a Jesus, mas, na verdade, eu ainda não tinha compreendido o evangelho. Eu estava apenas com medo, mesmo assim Deus foi gracioso e curou minha “velha” (como carinhosamente eu costumo chamá-la).

Como a entrega não foi verdadeira e, como eu “consegui” o que queria de Deus, logo me afastei, mas sete anos depois, em 2002, tudo mudou. Ao lado de alguns amigos, finalmente entendi o que Cristo havia feito por mim na cruz. Pela primeira vez, compreendi que eu era pecador e que precisava desesperadamente de um Salvador. Não era mais uma tentativa de barganha com Deus. Era arrependimento verdadeiro e fé genuína.

Foi ali que Cristo Jesus realmente entrou na minha vida. Foi ali que o evangelho deixou de ser uma ideia distante e se tornou a verdade que transformou o meu coração.

Naquele mesmo ano, em um culto de missões, enquanto o pastor Cláudio Ananias pregava, eu ouvi o Espírito Santo falar ao meu coração e tomei uma decisão profunda: “É isso que eu quero fazer da minha vida. Não quero me dedicar a outra coisa, senão a servir a Cristo Jesus.” 

Os anos passaram. Fui estudar, trilhei alguns caminhos, me preparei e em 2006, pela graça de Deus, fui chamado para servir na ABBA.

E foi aí que a minha história encontrou a história de Jonas.

Cristo me alcançou em um lugar escuro da minha alma. E me levou às ruas de São Paulo, onde encontrei muitos “Jonas”. Meninos e meninas que carregavam dores diferentes das minhas, mas feridas igualmente profundas que não podiam ser curadas com outra coisa a não ser um encontro verdadeiro com Cristo.

Eu poderia ter sido mais um jovem perdido. Jonas poderia ter sido apenas mais um número nas estatísticas. Mas existe uma terceira história, a maior de todas, a história de Deus.

A história de um Deus que criou todas as coisas perfeitas, viu sua criação ser afetada pelo pecado, mas decidiu não desistir de nós. A história de um Deus que entra no caos da nossa realidade e a reescreve de forma redentiva.

É essa história que sustenta a ABBA há 33 anos. Não é a nossa capacidade. Não é a nossa força. É a história da Redenção de Deus agindo através de pessoas comuns para alcançar outras pessoas.

Hoje, na ABBA Brasil, existem muitos Jonas sendo acolhidos. E existem muitos homens e mulheres que, transformados por Deus, decidiram fazer parte dessa missão.

Celebrar 33 anos é celebrar essa história maior.

É agradecer pelo cuidado, pela provisão e pela fidelidade de Deus.

É reconhecer que, se chegamos até aqui, foi porque Ele nos trouxe.

Assim, podemos renovar a nossa fé de que a mesma graça que nos alcança e nos sustenta todos os dias, pode e deseja alcançar muitos Jonas e qualquer pessoa.

Essa é a história que celebramos. A história de um Deus que transforma dor em propósito. Que transforma feridas em chamado. E que continua escrevendo novos capítulos através de cada um de nós. 

Um grande abraço e um beijo carinhoso.

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