{"id":1977,"date":"2022-04-13T20:39:41","date_gmt":"2022-04-13T23:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/abbabrasil.org.br\/?p=1977"},"modified":"2025-02-04T17:24:59","modified_gmt":"2025-02-04T20:24:59","slug":"direitos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abbabrasil.org.br\/en\/blog\/direitos-humanos\/","title":{"rendered":"Human Rights"},"content":{"rendered":"<p>Artigo dispon\u00edvel para <a style=\"color: #000;\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1MOzoOWTX6OyGuGA0rBJvFnC4r7JlH-yu\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>download<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p><strong>DECLARA\u00c7\u00c3O UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS E ASSIST\u00caNCIA SOCIAL NO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs direitos humanos, no Brasil, s\u00f3 defende bandidos, estupradores, marginais, seq\u00fcestradores e<br \/>\nat\u00e9 corruptos\u201d. Infelizmente, essa \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de muitos brasileiros. Em pesquisa feita em 2010,<br \/>\nquase metade dos brasileiros associava a defesa dos direitos humanos com a \u201cdefesa de direitos de<br \/>\nbandidos\u201d. Vivendo no Brasil de 2021, sabemos que essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 mais not\u00f3ria, seja por ter se<br \/>\ntornado ainda mais comum ou por ter se tornado mais expl\u00edcita e p\u00fablica como resultado de discursos e<br \/>\npr\u00e1ticas pol\u00edticas dos \u00faltimos anos. A verdade \u00e9 que estamos ainda mais distantes, desde 2010, de uma<br \/>\naprecia\u00e7\u00e3o adequada do valor e do papel dos direitos humanos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor<br \/>\ne na preserva\u00e7\u00e3o da vida dos mais vulner\u00e1veis. Sendo esse o sentimento nacional a respeito dos direitos<br \/>\nhumanos, n\u00e3o \u00e9 uma grande surpresa que exista tanta resist\u00eancia entre os crist\u00e3os em se associar com<br \/>\na defesa dos direitos humanos.<br \/>\nNessa mesma pesquisa de 2010, um ter\u00e7o dos brasileiros nunca tinha ouvido falar da Declara\u00e7\u00e3o<br \/>\nUniversal dos Direitos Humanos (DUDH), formulada em 1948 pela ONU. Falta, portanto, informa\u00e7\u00e3o e<br \/>\nconhecimento. Isso \u00e9 verdade, tamb\u00e9m, no caso mais espec\u00edfico de crist\u00e3os, mesmo aqueles que est\u00e3o<br \/>\ndiretamente envolvidos em trabalhos de assist\u00eancia social a grupos em risco e em vulnerabilidade social.<br \/>\nAinda que crist\u00e3os n\u00e3o precisem fundamentar o seu trabalho na DUDH, ignorar o seu papel e o que ela<br \/>\nrepresenta atualmente n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Dentre muitos motivos, o principal deles \u00e9 que, no Brasil, o<br \/>\ntrabalho de assist\u00eancia social encontra respaldo legal na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e no Estatuto da Crian\u00e7a<br \/>\ne do Adolescente que, em seus valores, e mesmo linguagem, \u00e9 dependente da DUDH, como veremos.<br \/>\nPor isso, nesta edi\u00e7\u00e3o da ABBA-PAI, queremos esclarecer qual venha a ser a rela\u00e7\u00e3o entre a DUDH e o<br \/>\ntrabalho de assist\u00eancia social no Brasil, inclusive no contexto crist\u00e3o. Faremos uma apresenta\u00e7\u00e3o da<br \/>\nDUDH, sua rela\u00e7\u00e3o com a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, e concluiremos com uma aplica\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DECLARA\u00c7\u00c3O UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS<\/strong><\/p>\n<p>Quando a vida est\u00e1 sob amea\u00e7a \u00e9 o momento de se pensar mais conscientemente sobre o seu valor. Quando<br \/>\na vida de grupos espec\u00edficos de pessoas \u00e9 amea\u00e7ada \u00e9 o momento de se pensar mais conscientemente<br \/>\nsobre direitos humanos. \u00c9 claro que o valor da vida e os direitos humanos est\u00e3o intrinsecamente<br \/>\nrelacionados. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar um e negar o outro. Contudo, \u00e9 preciso deixar claro que os direitos<br \/>\nhumanos t\u00eam a ver com a defesa do valor da vida de grupos espec\u00edficos que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0<br \/>\namea\u00e7a de morte. \u00c9 por isso que a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos surge como uma resposta<br \/>\n\u00e0s atrocidades da Segunda Grande Guerra. Apesar de a guerra ter sido uma amea\u00e7a generalizada \u00e0<br \/>\nvida, ela foi muito mais mortal para determinados grupos e seguindo algumas pr\u00e1ticas mortais bem<br \/>\nespec\u00edficas. O racismo e desprezo por grupos etnicamente e sociopoliticamente minorit\u00e1rios marcou a<br \/>\nviol\u00eancia da Segunda Grande Guerra. Da mesma forma, tortura, agress\u00f5es militares com alvos civis, e o<br \/>\nbombardeio nuclear caracterizaram as novas t\u00e1ticas que amea\u00e7avam a vida da humanidade. \u00c9 diante<br \/>\ndesse contexto espec\u00edfico que surge a DUDH.<br \/>\n\u00c9 isso que explica duas caracter\u00edsticas importantes da DUDH: a linguagem de fraternidade<br \/>\nuniversal e de igualdade. Essas duas caracter\u00edsticas est\u00e3o refletidas nas primeiras linhas da DUDH:<br \/>\n\u201cConsiderando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da fam\u00edlia humana<br \/>\ne de seus direitos iguais e inalien\u00e1veis \u00e9 o fundamento da liberdade, da justi\u00e7a e da paz no mundo\u201d<br \/>\n(Pre\u00e2mbulo). Em seus trinta curtos artigos, a DUDH defende o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a<br \/>\nsem distin\u00e7\u00e3o de qualquer tipo, como ra\u00e7a, cor, sexo, l\u00edngua, religi\u00e3o ou opini\u00e3o pol\u00edtica (ver Artigos 2 e<br \/>\n3). Vale destacar que na defesa do direito de seguran\u00e7a, diante das atrocidades de tortura e exterm\u00ednio<br \/>\nda Segunda Grande Guerra, a DUDH fala especificamente sobre o direito de julgamentos p\u00fablicos e<br \/>\njustos, a prote\u00e7\u00e3o da lei, assim como repudia qualquer pr\u00e1tica de tortura (ver Artigos 5 a 12). Esses<br \/>\nvalores marcam a primeira parte da DUDH que \u00e9, certamente, sua parte mais conhecida. No entanto,<br \/>\n\u00e9 necess\u00e1rio atentar para sua segunda parte para evitar uma avalia\u00e7\u00e3o da DUDH como um projeto<br \/>\ntotalit\u00e1rio e \u201cprogressista\u201d.<br \/>\nPopularmente, como apontamos no in\u00edcio dessa edi\u00e7\u00e3o, a DUDH \u00e9 acusada de defender \u201cbandidos\u201d.<br \/>\nEsperamos que o que vimos at\u00e9 aqui j\u00e1 seja o suficiente para se perceber a falsidade dessa acusa\u00e7\u00e3o. No<br \/>\nentanto, mesmo em discuss\u00f5es mais elevadas sobre a DUDH, existem algumas falsas impress\u00f5es que<br \/>\nlevam a cr\u00edticas infundadas. A DUDH \u00e9 interpretada como um projeto das elites intelectuais das na\u00e7\u00f5es<br \/>\nmais ricas, impondo seus valores e suas diretrizes seculares ideologicamente determinados, a todo o<br \/>\nmundo. Tal interpreta\u00e7\u00e3o imagina que a DUDH invalida outras formas de defesa do valor da vida e dos<br \/>\ndireitos humanos, especialmente aquelas de fundamento religioso. Essa cr\u00edtica entende a linguagem da<br \/>\nDUDH como muito detalhada e espec\u00edfica, traindo seu car\u00e1ter universal ao ignorar as particularidades<br \/>\nde cada cultura, povo e pa\u00eds. \u00c0s vezes, tal vis\u00e3o leva a imaginar a DUDH como mais uma for\u00e7a para<br \/>\nfundamentar um governo global desp\u00f3tico.<br \/>\n\u00c9 por isso que \u00e9 necess\u00e1rio dar uma aten\u00e7\u00e3o maior \u00e0 segunda parte da DUDH. De forma resumida,<br \/>\nessa segunda parte lida com direitos socioecon\u00f4micos e culturais. Ela come\u00e7a com o Artigo 16 sobre o<br \/>\ndireito de formar fam\u00edlia a partir de decis\u00f5es consensuais entre dois adultos. Mais ainda, a DUDH afirma<br \/>\nque \u201ca fam\u00edlia \u00e9 o n\u00facleo natural e fundamental da sociedade e tem direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sociedade e do<br \/>\nEstado\u201d (Artigo 16.3).<\/p>\n<p>\u00c9 a partir dessa afirma\u00e7\u00e3o que a DUDH prescreve os direitos a propriedade, cultura, religi\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o,<br \/>\norganiza\u00e7\u00e3o social, trabalho digno e condi\u00e7\u00f5es adequadas de vida para o sustento individual e familiar.<br \/>\nDuas coisas ficam claras nessa segunda parte da DUDH: seu aspecto universal n\u00e3o elimina o particular<br \/>\ne os direitos s\u00e3o somente a condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para o desenvolvimento humano. A forma como a DUDH<br \/>\nestabelece a fam\u00edlia como realidade fundamental cria um eixo entre o universal e o particular. O<br \/>\nfundamento central da DUDH, estabelecido em seu Pre\u00e2mbulo, \u00e9 a fraternidade universal, ou seja, toda<br \/>\na humanidade \u00e9 uma \u00fanica fam\u00edlia humana. Mas tal fundamento universal \u00e9 derivado, e n\u00e3o imposto,<br \/>\nda realidade particular da fam\u00edlia como n\u00facleo natural e fundamental da sociedade, ou seja, da pr\u00f3pria<br \/>\nhumanidade. Mais ainda, o fundamento da fraternidade universal n\u00e3o \u00e9 uma ideia na DUDH. Ela serve<br \/>\ntanto como ponto de partida para os direitos prescritos quanto como a realidade experimentada<br \/>\nquando esses direitos s\u00e3o garantidos. A fraternidade universal n\u00e3o precisa ser aceita de antem\u00e3o, mas<br \/>\ncertamente ser\u00e1 experimentada por todos os envolvidos na garantia dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Tendo a fam\u00edlia como n\u00facleo natural e fundamental, a DUDH estabelece a particularidade da<br \/>\nexperi\u00eancia familiar como ponto de partida de seu valor fundante da fraternidade universal. Mas n\u00e3o<br \/>\ns\u00f3. A fam\u00edlia, em sua realidade particular e universal, \u00e9 fundante para qualquer valor universal, inclusive<br \/>\nde direitos humanos. Mas, como vimos, a DUDH tem origem em experi\u00eancias em que esse fundamento<br \/>\nfoi profundamente negado e violado. Assim, o que fazer quando a fam\u00edlia, no \u00e2mbito particular e<br \/>\nuniversal, se torna um ambiente de viol\u00eancia e neglig\u00eancia a ponto de colocar em risco a vida e o bom<br \/>\ndesenvolvimento de seus membros? A ABBA, obviamente, trabalha exatamente nesse dif\u00edcil contexto,<br \/>\no que nos faz reconhecer que a fam\u00edlia de origem, em si, ou qualquer outra realidade particular, n\u00e3o<br \/>\npode estar acima de certos valores. \u00c9 por isso que devemos considerar quando a linguagem dos direitos<br \/>\nhumanos \u00e9 espec\u00edfica e quando \u00e9 aberta.<br \/>\nQuando a DUDH fala sobre viol\u00eancia, tortura, injusti\u00e7as de forma geral, a linguagem \u00e9 espec\u00edfica.<br \/>\nPodemos ver dois exemplos, um negativo e um positivo, dentro do contexto da vida familiar. No artigo<br \/>\n12, a DUDH afirma que \u201cningu\u00e9m ser\u00e1 sujeito \u00e0 interfer\u00eancia na sua vida privada, na sua fam\u00edlia, no seu<br \/>\nlar ou na sua correspond\u00eancia, nem a ataque \u00e0 sua honra e reputa\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 uma linguagem espec\u00edfica que<br \/>\npode ser aplicada de forma clara em casos particulares. No artigo 25, a DUDH afirma que \u201ca maternidade<br \/>\ne a inf\u00e2ncia t\u00eam direito a cuidados e assist\u00eancia especiais. Todas as crian\u00e7as, nascidas dentro ou fora<br \/>\ndo matrim\u00f4nio, gozar\u00e3o da mesma prote\u00e7\u00e3o social\u201d. Tamb\u00e9m, uma linguagem espec\u00edfica que pode ser<br \/>\naplicada de forma clara em casos particulares.<br \/>\nEssa linguagem, de fato, elimina qualquer possibilidade de significado diferente em contextos<br \/>\ndiferentes. A linguagem espec\u00edfica, por\u00e9m, ocorre para se evitar abusos e n\u00e3o para desqualificar valores e<br \/>\naplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a cada fam\u00edlia, povo, na\u00e7\u00e3o, cultura e religi\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que entra a linguagem aberta de<br \/>\nvalores. A afirma\u00e7\u00e3o fundamental de que \u201ctodo ser humano tem o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a<br \/>\npessoal\u201d (Artigo 3) utiliza uma linguagem aberta o suficiente para ser preenchida por contextos particulares.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o valores derivados da experi\u00eancia comum humana e, nesse sentido, s\u00e3o universais, mas sem<br \/>\nperder seu car\u00e1ter aberto que d\u00ea conta de express\u00f5es particulares. Esse equil\u00edbrio entre universalidade<br \/>\ne particularidade \u00e9 importante para evitar que tais valores sejam abusados de duas formas: (1) como<br \/>\nvalores espec\u00edficos demais determinados por um grupo a serem impostos sobre outros grupos; (2) como<br \/>\nvalores abertos demais a ponto de um grupo espec\u00edfico ser capaz de violar os direitos de outros grupos ou<br \/>\nindiv\u00edduos e ainda se fundamentar em tais valores.<br \/>\nComo, ent\u00e3o, lidamos com essa quest\u00e3o entre valores e direitos espec\u00edficos, entre linguagem<br \/>\nespec\u00edfica e aberta? De forma mais pr\u00e1tica, como lidar com uma fam\u00edlia que tem valores e segue pr\u00e1ticas<br \/>\nque colocam em risco a vida, ou os direitos humanos, de seus membros? Uma das respostas dadas pela<br \/>\nDUDH \u00e9 que um direito n\u00e3o pode ser usado contra outro direito (Artigo 30). Por exemplo, o direito de<br \/>\nprote\u00e7\u00e3o contra a interven\u00e7\u00e3o na vida privada, na fam\u00edlia ou no lar (Artigo 12), n\u00e3o pode ser usado como<br \/>\njustificativa para impedir a interfer\u00eancia da comunidade ou do Estado em casos em que a fam\u00edlia viola<br \/>\ndireitos de seus membros, especialmente mulheres e crian\u00e7as. A liberdade religiosa, por exemplo, que \u00e9<br \/>\num dos valores da DUDH, n\u00e3o pode ser usada para justificar a viola\u00e7\u00e3o de outro direito, como o direito<br \/>\n\u00e0 seguran\u00e7a pessoal. \u00c9 claro que existem casos mais amb\u00edguos e complexos, mas a DUDH oferece um<br \/>\nexcelente fundamento para o di\u00e1logo que tem o objetivo de preservar e fazer avan\u00e7ar a vida de todos.<br \/>\nDiante de tal objetivo, fica mais compreens\u00edvel a \u00eanfase dos direitos humanos em defender grupos<br \/>\nespec\u00edficos que est\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 amea\u00e7a de morte. \u00c9 exatamente por querer preservar e avan\u00e7ar a<br \/>\nvida de todos \u00e9 que os direitos humanos s\u00e3o um instrumento de defesa dos grupos mais vulner\u00e1veis, que<br \/>\nmais sofreram viola\u00e7\u00f5es, abusos e viol\u00eancias contra sua vida por causa de uma caracter\u00edstica espec\u00edfica<br \/>\nde suas identidades. Na DUDH, os direitos humanos s\u00e3o afirmados a todos \u201csem distin\u00e7\u00e3o de qualquer<br \/>\nesp\u00e9cie, seja de ra\u00e7a, cor, sexo, l\u00edngua, religi\u00e3o, opini\u00e3o pol\u00edtica ou de outra natureza, origem nacional ou<br \/>\nsocial, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condi\u00e7\u00e3o\u201d (Artigo 2). A linguagem negativa, \u201csem distin\u00e7\u00e3o\u201d,<br \/>\nprecisou ser desenvolvida de forma afirmativa a fim de que cada grupo tenha seus direitos garantidos para<br \/>\npoderem afirmar a igualdade de valor de suas identidades espec\u00edficas, especialmente porque a viola\u00e7\u00e3o de<br \/>\nseus direitos se d\u00e1, muitas vezes, em raz\u00e3o dessa identidade. Um crist\u00e3o, na China, que tem seus direitos<br \/>\nhumanos violados por ser crist\u00e3o, por exemplo, n\u00e3o somente deve ter seus direitos garantidos \u201csem<br \/>\ndistin\u00e7\u00e3o\u201d de sua identidade, mas sim na afirma\u00e7\u00e3o da igualdade de valor de sua identidade como crist\u00e3o<br \/>\ndiante das outras identidades que, por terem maior status e poder, menosprezam a identidade crist\u00e3. Uma<br \/>\npessoa negra que sofre racismo, portanto tem seus direitos humanos violados, n\u00e3o somente deve ter seus<br \/>\ndireitos garantidos \u201csem distin\u00e7\u00e3o\u201d, mas na afirma\u00e7\u00e3o da igualdade de valor de sua identidade diante das<br \/>\noutras identidades que menosprezam a identidade negra. \u00c9 exatamente por que \u201ctodas as vidas importam\u201d<br \/>\n\u00e9 que se faz necess\u00e1rio dizer que \u201cvidas negras importam\u201d, \u201cvidas pobres importam\u201d, \u201cvidas encarceradas<br \/>\nimportam\u201d, etc.<\/p>\n<p>Isso nos leva ao \u00faltimo aspecto da DUDH que precisa ser mencionado aqui, mais uma vez atentando para a<br \/>\nsegunda parte da DUDH, que lida com direitos socioecon\u00f4micos e culturais. David Smolin resume bem os direitos<br \/>\ninclu\u00eddos nesta segunda parte da DUDH: \u201cdireito ao trabalho, incluindo a livre escolha de emprego, condi\u00e7\u00f5es<br \/>\nde trabalho justas e favor\u00e1veis, e prote\u00e7\u00e3o contra o desemprego; direito ao descanso e ao lazer, incluindo<br \/>\nf\u00e9rias remuneradas; padr\u00e3o de vida adequado para a sa\u00fade e o bem-estar do trabalhador e de sua fam\u00edlia,<br \/>\nincluindo melhora cont\u00ednua das condi\u00e7\u00f5es de vida e o direito de seguridade em caso de desemprego, doen\u00e7a,<br \/>\ndefici\u00eancia f\u00edsica, viuvez e idade avan\u00e7ada; educa\u00e7\u00e3o elementar obrigat\u00f3ria e gratuita, implementa\u00e7\u00e3o<br \/>\nprogressiva de educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria gratuita, e um sistema de educa\u00e7\u00e3o superior acess\u00edvel a todos com base<br \/>\nem m\u00e9ritos; direito de formar e integrar sindicatos; direito ao padr\u00e3o mais elevado poss\u00edvel de sa\u00fade f\u00edsica e mental\u201d.<\/p>\n<p>Esses direitos pr\u00e1ticos e espec\u00edficos qualificam os valores universais da primeira parte,<br \/>\nespecialmente o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a. N\u00e3o s\u00f3 isso, a rela\u00e7\u00e3o entre essas duas partes<br \/>\ntamb\u00e9m \u00e9 sobre como a primeira parte \u00e9 alcan\u00e7ada a partir da segunda. A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 a<br \/>\npossibilidade de se garantir o direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a se n\u00e3o existir um ambiente de<br \/>\nigualdade de oportunidades e justi\u00e7a social que proporcionam o bom desenvolvimento humano. O<br \/>\nser humano e a humanidade dependem de um ambiente que supra suas necessidades mais b\u00e1sicas,<br \/>\nespecialmente as necessidades sociais da fam\u00edlia e de uma comunidade acolhedora, e as necessidades<br \/>\nmateriais de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia, a fim de que seu potencial seja buscado e alcan\u00e7ado. Nesse<br \/>\nsentido, para que indiv\u00edduos e grupos menosprezados e violados sejam capazes de afirmar seu valor<br \/>\ne dignidade, \u00e9 necess\u00e1rio que seus direitos humanos sejam garantidos. Por outro lado, com direitos<br \/>\nhumanos garantidos, o valor e a dignidade de todos s\u00e3o afirmados e cria-se um ambiente adequado para<br \/>\no bom desenvolvimento humano.<br \/>\nE \u00e9 aqui que entra um problema fundamental da DUDH: ela n\u00e3o tem car\u00e1ter legal com a for\u00e7a<br \/>\nde garantir os direitos humanos que defende. A DUDH depende que seus valores sejam aceitos por<br \/>\ngovernos, comunidades e indiv\u00edduos a fim de que tais direitos sejam garantidos. E \u00e9 exatamente isso<br \/>\nque veremos a seguir. Falaremos da influ\u00eancia da DUDH na legisla\u00e7\u00e3o brasileira e de como comunidades,<br \/>\nespecialmente comunidades crist\u00e3s, podem dialogar com a DUDH. Seja pela imposi\u00e7\u00e3o da lei, ou pelo<br \/>\ndi\u00e1logo e esfor\u00e7o p\u00fablico colaborativo, veremos que o objetivo \u00e9, especificamente para n\u00f3s na ABBA, que<br \/>\na humanidade, em sua identidade como imagem e semelhan\u00e7a de Deus, fam\u00edlia de Deus, se desenvolva<br \/>\nplenamente em seu prop\u00f3sito divino de contribuir para o avan\u00e7o de um mundo de riquezas e belezas<br \/>\nabundantes; um mundo capaz de acolher, fomentar e sustentar toda sorte de vida; uma sociedade<br \/>\ncultural e economicamente diversa, plural e vibrante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DUDH, CONSTITUI\u00c7\u00c3O FEDERAL E ESTATUTO DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, como vimos, a DUDH \u00e9 pouco conhecida. Contudo, a sociedade brasileira tem sido<br \/>\nprofundamente influenciada por ela. Tanto a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 (CF\/88), quanto o Estatuto<br \/>\nda Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) de 1992, foram influenciados pelos valores da DUDH. Neste t\u00f3pico,<br \/>\nqueremos mostrar essa influ\u00eancia e sua import\u00e2ncia na defesa dos direitos humanos no contexto<br \/>\nbrasileiro, especialmente na \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o da ABBA.<br \/>\nA CF\/88, de forma geral, e a ECA, no caso espec\u00edfico de crian\u00e7as e adolescentes, seguem valores<br \/>\nda DUDH quanto aos direitos humanos. Al\u00e9m desse compartilhamento de valores, como veremos logo,<br \/>\na CF\/88 tamb\u00e9m surge como resposta a um per\u00edodo nacional, a ditadura militar, em que as viola\u00e7\u00f5es<br \/>\nde direitos humanos foram pr\u00e1tica comum, destruindo a vida de muitos e prejudicando toda a sociedade<br \/>\nbrasileira. Esse contexto de viol\u00eancia, abuso e morte, assim como ocorreu no contexto da Segunda<br \/>\nGrande Guerra que deu origem \u00e0 DUDH, foi mais prejudicial e destrutivo para certos grupos da sociedade<br \/>\nbrasileira. Por isso, como na DUDH, temos um valor de igualdade not\u00f3rio. A CF\/88 diz o seguinte:<br \/>\n\u201cTodos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos<br \/>\nestrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a<br \/>\ne \u00e0 propriedade\u201d (Artigo 5). J\u00e1 o ECA afirma que a crian\u00e7a e o adolescente t\u00eam direito \u201c\u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade\u201d<br \/>\n(Artigo 7), \u201c\u00e0 liberdade, ao respeito e \u00e0 dignidade\u201d (Artigo 15), e \u201c\u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0<br \/>\neduca\u00e7\u00e3o, ao esporte, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0<br \/>\nconviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria \u201c (Artigo 4). A semelhan\u00e7a com o que vimos na DUDH \u00e9 n\u00edtida.<br \/>\nNo caso do ECA, valores universais como vida e liberdade s\u00e3o colocados lado a lado com os<br \/>\ndireitos mais espec\u00edficos e pr\u00e1ticos, como sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, esporte, etc. De certa forma,<br \/>\no ECA torna expl\u00edcita a rela\u00e7\u00e3o entre a primeira e a segunda partes da DUDH. Outro desenvolvimento<br \/>\ninteressante que o ECA apresenta, como implica\u00e7\u00e3o da DUDH, \u00e9 o objetivo de tais valores e direitos. A<br \/>\nprote\u00e7\u00e3o garantida pelo ECA a crian\u00e7as e adolescentes tem o seguinte objetivo: \u201c[assegurar] todas as<br \/>\noportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento f\u00edsico, mental, moral, espiritual e<br \/>\nsocial, em condi\u00e7\u00f5es de liberdade e de dignidade\u201d (Artigo 3).<br \/>\nO bom desenvolvimento humano, seguindo os valores apresentados pela DUDH, a CF\/88 e o<br \/>\nECA, somente pode ser alcan\u00e7ado num ambiente que garanta, pelos direitos humanos, oportunidades<br \/>\ne facilidades para todos. Dessa forma, tamb\u00e9m, o ECA trabalha com o conceito de autoafirma\u00e7\u00e3o de<br \/>\ngrupos minorit\u00e1rios, vulner\u00e1veis, cuja identidade particular \u00e9 alvo de menosprezo e viol\u00eancia. A crian\u00e7a<br \/>\ne o adolescente s\u00e3o tratados como \u201csujeitos de direitos civis, humanos e sociais\u201d (Artigo 15). E o ECA<br \/>\nainda faz quest\u00e3o de usar crit\u00e9rios anti-discriminat\u00f3rios iguais aos da DUDH, refor\u00e7ando a identidade<br \/>\nda inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia como dignas de valoriza\u00e7\u00e3o igual \u00e0 de outras identidades: \u201cOs direitos<br \/>\nenunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crian\u00e7as e adolescentes, sem discrimina\u00e7\u00e3o de nascimento,<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o familiar, idade, sexo, ra\u00e7a, etnia ou cor, religi\u00e3o ou cren\u00e7a, defici\u00eancia, condi\u00e7\u00e3o pessoal de<br \/>\ndesenvolvimento e aprendizagem, condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ambiente social, regi\u00e3o e local de moradia ou<br \/>\noutra condi\u00e7\u00e3o que diferencie as pessoas, as fam\u00edlias ou a comunidade em que vivem\u201d (Artigo 3).<br \/>\nA CF\/88 faz uma separa\u00e7\u00e3o semelhante a que temos na DUDH ao, primeiro, mencionar os valores<br \/>\nuniversais \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade (Artigo 5), para depois falar<br \/>\nde direitos sociais: \u201cS\u00e3o direitos sociais a educa\u00e7\u00e3o, a sa\u00fade, a alimenta\u00e7\u00e3o, o trabalho, a moradia, o<br \/>\ntransporte, o lazer, a seguran\u00e7a, a previd\u00eancia social, a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade e \u00e0 inf\u00e2ncia, a assist\u00eancia<br \/>\naos desamparados, na forma desta Constitui\u00e7\u00e3o\u201d (Artigo 6). Um dos fundamentos mais significativos da DUDH \u00e9 o<br \/>\nreconhecimento de que a fam\u00edlia \u00e9 o n\u00facleo natural e fundamental da sociedade. Isso se torna uma marca tanto da<br \/>\nCF\/88 quanto do ECA. No artigo 226, a CF\/88 afirma e garante: \u201cA fam\u00edlia, base da sociedade, tem especial prote\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo Estado\u201d. No artigo seguinte, vemos uma rela\u00e7\u00e3o bem interessante entre direitos humanos, fam\u00edlia, Estado e as<br \/>\nrela\u00e7\u00f5es de prioridade: \u201c\u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem,<br \/>\ncom absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o,<br \/>\n\u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo<br \/>\nde toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o\u201d. Nesse importante artigo,<br \/>\na CF\/88 estabelece, de forma mais integrada do que a DUDH, que os direitos humanos, especialmente no caso de crian\u00e7as<br \/>\ne adolescentes, somente poder\u00e3o ser garantidos por um esfor\u00e7o conjunto da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado, e que esses<br \/>\ntr\u00eas atores sociais devem fiscalizar um ao outro a fim de impedir a viola\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>No quarto artigo do ECA, repete-se a mesma reda\u00e7\u00e3o do artigo 227 da CF\/88. Mas o ECA apresenta,<br \/>\nem outros artigos, uma linguagem ainda mais coerente com os valores\u2014e n\u00e3o necessariamente com a<br \/>\nreda\u00e7\u00e3o\u2014da DUDH. Quero chamar a aten\u00e7\u00e3o do leitor para duas express\u00f5es que aparecem no ECA. A<br \/>\nprimeira est\u00e1 no artigo 7, que diz: \u201cA crian\u00e7a e o adolescente t\u00eam direito a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade,<br \/>\nmediante a efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais p\u00fablicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento<br \/>\nsadio e harmonioso, em condi\u00e7\u00f5es dignas de exist\u00eancia\u201d. A parte final \u00e9 de import\u00e2ncia singular. O ECA<br \/>\nusa a linguagem de \u201cdesenvolvimento sadio e harmonioso, em condi\u00e7\u00f5es dignas de exist\u00eancia\u201d. Ainda<br \/>\nmais do que no caso da DUDH, o ECA utiliza uma linguagem de valores que n\u00e3o imp\u00f5e pr\u00e1ticas espec\u00edficas,<br \/>\ndando espa\u00e7o para que cada fam\u00edlia, comunidade e cultura apliquem esses valores adequadamente ao<br \/>\nseu contexto. A base espec\u00edfica que busca evitar abusos est\u00e1 l\u00e1 (\u201co direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o,<br \/>\n\u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia<br \/>\nfamiliar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o,<br \/>\nviol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o\u201d), mas os valores \u201cuniversais\u201d s\u00e3o abertos para serem preenchidos por<br \/>\npr\u00e1ticas locais, particulares, contextuais.<br \/>\nAlgo semelhante acontece com a segunda express\u00e3o que aparece no ECA, que merece nossa<br \/>\naten\u00e7\u00e3o, e est\u00e1 em seu artigo 19: \u201c\u00c9 direito da crian\u00e7a e do adolescente ser criado e educado no seio de<br \/>\nsua fam\u00edlia e, excepcionalmente, em fam\u00edlia substituta, assegurada a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria,<br \/>\nem ambiente que garanta seu desenvolvimento integral\u201d. A express\u00e3o, obviamente, \u00e9 \u201cdesenvolvimento<br \/>\nintegral\u201d. Esse artigo \u00e9 ainda mais relevante por garantir um direito que n\u00e3o aparece nem na DUDH nem<br \/>\nna CF\/88: a conviv\u00eancia familiar em ambiente que garanta o desenvolvimento integral da crian\u00e7a e do<br \/>\nadolescente \u00e9 priorit\u00e1ria \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de origem.<br \/>\nTanto a DUDH quanto a CF\/88 apresentam o crit\u00e9rio de que um direito n\u00e3o pode ser garantido<br \/>\nquando este justifica abusos de outros direitos. Mas nenhum dos dois documentos \u201cresolve\u201d poss\u00edveis<br \/>\nimpasses. O ECA oferece um importante exemplo de como aplicar os valores dos direitos humanos<br \/>\nquando certas pr\u00e1ticas locais e contextuais preenchem tais valores de formas abusivas. No caso<br \/>\nespec\u00edfico do ECA, o que temos \u00e9 o impasse entre o direito de prote\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e o direito de prote\u00e7\u00e3o<br \/>\nda crian\u00e7a e do adolescente contra \u201ctoda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia,<br \/>\ncrueldade e opress\u00e3o\u201d. A solu\u00e7\u00e3o oferecida pelo ECA \u00e9 a garantia da prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e do adolescente,<br \/>\ne a garantia do conv\u00edvio familiar por meio de fam\u00edlia substituta. Com tal solu\u00e7\u00e3o, o ECA eleva o direito<br \/>\n\u00e0 vida e ao \u201cdesenvolvimento integral\u201d como valores \u201cuniversais\u201d, enquanto continua reconhecendo<br \/>\nque tais valores somente encontram sua express\u00e3o e fundamento em experi\u00eancias locais, particulares,<br \/>\ncontextuais, especialmente mediadas pela fam\u00edlia como base da sociedade.<br \/>\nAo contemplar a necessidade de fam\u00edlias substitutas a fim de garantir o \u201cdesenvolvimento<br \/>\nintegral\u201d de algumas crian\u00e7as e adolescentes, o ECA reconhece pr\u00e1ticas locais, particulares e contextuais<br \/>\nde \u201capadrinhamento\u201d e ado\u00e7\u00e3o que s\u00e3o conhecidas na humanidade em culturas antiq\u00fc\u00edssimas, como na<br \/>\nantiga Babil\u00f4nia, ainda no segundo mil\u00eanio a.C., e em culturas contempor\u00e2neas, como a brasileira dos<br \/>\ns\u00e9culos XIX e XX.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HUMANITARISMO E O TRABALHO DE ASSIST\u00caNCIA SOCIAL CRIST\u00c3O NO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p>Como muitos reconhecem, a DUDH n\u00e3o tem car\u00e1ter legal e n\u00e3o pode ser imposta sobre nenhuma na\u00e7\u00e3o<br \/>\nsoberana. No entanto, esse tipo de documento internacional exerce um papel relevante na constru\u00e7\u00e3o de<br \/>\numa sociedade melhor. Primeiro, esses documentos respondem a eventos que destroem a humanidade<br \/>\ncomo um todo e certos grupos de status minorit\u00e1rio de forma espec\u00edfica. Assim, esses documentos<br \/>\nrepudiam tais eventos e pr\u00e1ticas e sugerem uma forma de construirmos uma sociedade melhor.<br \/>\nSegundo, esses documentos expressam valores que s\u00e3o reconhecidos pela maioria das na\u00e7\u00f5es, culturas,<br \/>\ncomunidades e fam\u00edlias. Assim, esses documentos se tornam um bom ponto de partida para se pensar<br \/>\na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor. Terceiro, esses documentos tendem a ser assinados pela maior<br \/>\nparte das na\u00e7\u00f5es e tal assinatura se torna um crit\u00e9rio de presta\u00e7\u00e3o de contas internacional. Quarto, esses<br \/>\ndocumentos influenciam as legisla\u00e7\u00f5es nacionais, como vimos claramente no caso brasileiro da CF\/88<br \/>\ne ECA. Mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 uma influ\u00eancia legislativa, ainda pode existir uma influ\u00eancia pol\u00edtica que<br \/>\ncontribui na delinea\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<br \/>\nPara n\u00f3s, crist\u00e3os envolvidos em servi\u00e7os de assist\u00eancia social, as atividades que exercemos n\u00e3o<br \/>\nest\u00e3o fundamentadas na DUDH, na CF\/88 ou no ECA. Nosso fundamento est\u00e1 em nossa consci\u00eancia de<br \/>\nf\u00e9. Contudo, nossas atividades n\u00e3o s\u00e3o contr\u00e1rias a esses documentos, nem podem existir, no \u00e2mbito<br \/>\np\u00fablico, sem o apoio e corrobora\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o. A DUDH \u00e9 uma forte aliada em nosso trabalho e n\u00e3o<br \/>\num inimigo a ser combatido. A CF\/88 e o ECA s\u00e3o ainda mais, pois podemos corroborar nosso trabalho<br \/>\na partir da legisla\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds. Isso n\u00e3o quer dizer que em certos assuntos, nossa consci\u00eancia de f\u00e9<br \/>\ne esses documentos n\u00e3o entram em conflito. Mas quer dizer que a solu\u00e7\u00e3o desses conflitos n\u00e3o deve ser<br \/>\ncombativa, e sim colaborativa, pensando em formas adequadas de interpretar esses documentos, e como<br \/>\n\u201cpreencher\u201d seus valores a partir de pr\u00e1ticas adequadas a nossa consci\u00eancia de f\u00e9, j\u00e1 que o prop\u00f3sito<br \/>\ndesses documentos \u00e9 exatamente esse. Para n\u00f3s, crist\u00e3os, que acreditamos na fraternidade universal da<br \/>\nhumanidade e da forma\u00e7\u00e3o de uma identidade familiar priorit\u00e1ria \u00e0 fam\u00edlia de origem, na participa\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo Corpo de Cristo, o exemplo do direito do conv\u00edvio familiar, por meio de fam\u00edlia substituta, garantido<br \/>\nno ECA, \u00e9 uma boa ilustra\u00e7\u00e3o de como nossa consci\u00eancia de f\u00e9, os direitos humanos e a legisla\u00e7\u00e3o podem<br \/>\ndialogar bem, encontrando formas de serem praticadas para o bem comum na prote\u00e7\u00e3o dos mais<br \/>\nvulner\u00e1veis.<br \/>\nPor todo o Antigo e Novo Testamentos, o pertencimento \u00e0 fam\u00edlia de Deus, como forma de<br \/>\nestabelecer um verdadeiro ambiente familiar, comunit\u00e1rio, nacional e global, para o \u201cdesenvolvimento<br \/>\nintegral\u201d de cada indiv\u00edduo e comunidade, n\u00e3o est\u00e1 em la\u00e7os de consang\u00fcinidade, ou seja, n\u00e3o depende<br \/>\nda fam\u00edlia de origem.<\/p>\n<p>Obviamente, as fam\u00edlias de origem, especialmente no Antigo Testamento, s\u00e3o o meio comum<br \/>\ne esperado para o pertencimento \u00e0 fam\u00edlia de Deus e o estabelecimento desse ambiente prop\u00edcio ao<br \/>\n\u201cdesenvolvimento integral\u201d. No entanto, esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico meio, e o valor do pertencimento \u00e0 fam\u00edlia<br \/>\nde Deus supera a lealdade ou o direito devido \u00e0 fam\u00edlia de origem. O cuidado paternal de Deus para<br \/>\ncom todos os seres humanos extrapola qualquer tipo de limite que a fam\u00edlia de origem de Abra\u00e3o, por<br \/>\nexemplo, possa ter. A fam\u00edlia de Deus n\u00e3o se restringe \u00e0 consang\u00fcinidade da fam\u00edlia de Abra\u00e3o nem<br \/>\nno Antigo Testamento, nem no Novo. Onde quer que a fam\u00edlia de Deus ofere\u00e7a cuidado familiar a uma<br \/>\npessoa, ou seja, um cuidado que garanta \u201co direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0<br \/>\nprofissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria\u201d,<br \/>\nprotegendo-a de \u201ctoda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o\u201d,<br \/>\nali existe uma express\u00e3o e um convite de pertencimento \u00e0 fam\u00edlia divina. Podemos ver isso na narrativa<br \/>\nde Rute, a mulher moabita que por meio de um cuidado familiar m\u00fatuo entre ela e Noemi, se tornou<br \/>\nparte da fam\u00edlia de Deus. Podemos ver isso na pr\u00f3pria identidade de Israel como um todo, que nunca<br \/>\nfoi exclusivamente uma identidade gen\u00e9tica ou \u00e9tnica, mas de alian\u00e7a. Os cuidados listados em Mateus<br \/>\n25.31\u201346, por meio do qual Jesus, o Rei, ir\u00e1 julgar todas as na\u00e7\u00f5es, s\u00e3o cuidados t\u00edpicos da lealdade<br \/>\ne da generosidade esperada entre parentes e, por isso, s\u00e3o cuidados que expressam e convidam ao<br \/>\npertencimento da fam\u00edlia de Deus, por meio de Jesus. Por fim, todo o esfor\u00e7o teol\u00f3gico paulino pode<br \/>\nser resumido em sua declara\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos s\u00e3o filhos de Deus pela lealdade de Jesus, o Rei (Carta<br \/>\naos G\u00e1latas 3.26). E tudo isso se d\u00e1 por meio de uma fam\u00edlia \u201csubstituta\u201d que promove, acima de tudo,<br \/>\nvida e vida em abund\u00e2ncia a todos, especialmente os mais vulner\u00e1veis que t\u00eam sua identidade e valor<br \/>\nmenosprezados.<br \/>\nNessa fam\u00edlia de Deus, em Jesus, tem valores universais que tamb\u00e9m s\u00e3o preenchidos pela<br \/>\nexperi\u00eancia particular de seus membros. A universalidade, aqui, se fundamenta na diversidade dos<br \/>\nparticulares. A fraternidade universal \u00e9 experimentada e o plano divino universal \u00e9 cumprido por meio<br \/>\nde fam\u00edlias particulares que, como membros diversos de um mesmo corpo, o corpo de Cristo, formam<br \/>\numa \u00fanica fam\u00edlia de Deus.<br \/>\nNa pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da ABBA-PAI, vamos expandir mais a rela\u00e7\u00e3o entre os direitos humanos e f\u00e9<br \/>\na crist\u00e3. Demonstraremos as fontes culturais, especialmente religiosas e filos\u00f3ficas, por tr\u00e1s dos valores<br \/>\ndos direitos humanos expressos na DUDH. A f\u00e9 b\u00edblica, certamente faz parte dessa tradi\u00e7\u00e3o, ainda que<br \/>\nn\u00e3o seja a \u00fanica. Mas a partir da f\u00e9 b\u00edblica, como parte das fontes que produziram, direta e indiretamente,<br \/>\nos valores dos direitos humanos e da DUDH, falaremos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre miss\u00e3o crist\u00e3 e os direitos<br \/>\nhumanos. At\u00e9 a pr\u00f3xima.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 680px;\">\u00a0 - EQUIPE ABBA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo dispon\u00edvel para download. 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